terça-feira, 10 de maio de 2011

A Chita Brasileira

Hoje não vou falar-vos de receitas e ingredientes, mas de ideias para a decoração da mesa e da casa. Conforme procuro conhecer os produtos locais quando é hora de cozinhar, também estou atenta ao que aqui se pode encontrar quando chega o momento de arranjar a mesa ou decorar a casa. Foi assim que descobri a Chita ou Chitão Brasileiro.

A Chita veio para o Brasil no início do Século XIX, com os europeus que para aqui emigraram. Com o início da sua produção no próprio país, o preço baixou e o tecido popularizou-se, transformando-se num dos ícones da identidade nacional. Hoje em dia podemos vê-lo nas festas populares, como as festas juninas (festas dos Santos Populares, em Junho), mas também começa a ser utilizado em decoração, surgindo com cada vez maior frequência em revistas de referência deste sector. As suas estampas coloridas e de inspiração tropical, alegram a decoração de espaços exteriores, de mesas e de eventos aos quais se quer dar uma nota de Brasileirismo.



Há algumas semanas, quando convidámos uns amigos para uma feijoada, resolvi improvisar uns individuais de chita (as minhas coisas ainda estavam algures no Atlântico!). Comprei o tecido e linha de bordar contrastante e, com uns pontos largos, fiz a bainha. Ficou alegre e combinou bem com a feijoada e as caipirinhas.





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Salada de Frango com Almeirão e Manga Rosa

Gosto de experimentar receitas simples, rápidas e descomplicadas que salientem o sabor dos ingredientes! No passado final de semana resolvi fazer uma salada para aproveitar uns restos de frango assado, e para experimentar as primeiras folhas de Almeirão colhidas na nossa horta.


O Almeirão (Cichorium intybus intybus) é uma variedade de chicória com folhas mais alongadas, mais estreitas, recobertas por pelos e com um sabor amargo mais pronunciado. O almeirão possui um baixo teor calórico, sendo rico em cálcio, fósforo, ferro,  e vitaminas (A, do complexo B e vitamina C). Pode ser consumido em saladas e pratos quentes, podendo substituir a couve, o espinafre e a chicória. Apesar de não conhecer resolvi plantar na horta e, tal como o gin tónico, aprende-se a gostar do seu sabor amargo.

O frigorífico providenciou os restantes ingredientes: alface, maçã fudji e manga rosa. Imaginei que o sabor doce da maçã e da manga combinasse bem com o amargo do almeirão e o resultado acabou por corresponder ao esperado.


Ingredientes:
2 peitos de frango assado ou cozido
4 folhas de alface
4 folhas de almeirão
1 manga rosa
1 maçã fudji
sal qb
azeite qb
vinagre balsâmico qb

Lavar bem as verduras e cortar em juliana média. Descascar a maçã e a manga e cortar em cubos. Cortei a maçã em cubos mais pequenos e a manga um pouco maior. Convém que a manga não esteja demasiado madura. Desfiar o frango. Juntar todos os ingredientes numa taça grande e temperar com sal, azeite e vinagre balsâmico.



Espero que gostem!
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domingo, 8 de maio de 2011

Uma Açorda de Bacalhau!

Hoje apetecia-nos o sabor reconfortante de um prato da nossa terra. Como os coentros da horta já estão capazes de colher, e ainda tínhamos umas postas de bacalhau no congelador, resolvi fazer uma Açorda de Bacalhau! Trouxe-nos à memória o Alentejo e aqueceu-nos o estômago e a alma.



Fazer uma Açorda é muito simples e geralmente sai sempre bem. É claro que para muitos pode parecer estranho tanta agitação à volta de um caldo de azeite, alho e coentros, com sopas de pão, mas para o bom Alentejano, não há melhor.





Ingredientes:
Fatias de pão duro / amanhecido (dependendo do apetite, cerca de 6 fatias médias por pessoa)
Azeite (calcule umas 2 colheres de sopa por pessoa)
Alhos (3 ou 4 dentes de alhos por pessoa)
1 molho de coentros
ovos (1 ovo por pessoa)
bacalhau (uma posta por pessoa)

Colocar o bacalhau demolhado a cozer em água fria. Quando levantar fervura, desligar o fogão e reservar. Escalfar os ovos. Esmagar os dentes de alho com o sal (atenção! se a água de cozer o bacalhau souber muito a sal, colocar pouco sal com os dentes de alho). Deitar o azeite num fundo de uma taça grande ou de uma terrina. Cortar os coentros de forma grosseira e misturar com o azeite. Quando estiverem bem esmagados, juntar os alhos ao azeite com os coentros e misturar.

Distribuir o bacalhau e ovos pelos pratos ou, em alternativa, levar à mesa numa travessa para que cada um se sirva a gosto. Levar a água de cozer o bacalhau novamente a ferver, acrescentando água se esta não for suficiente. Quando atingir o ponto de fervura, retirar do lume e juntar ao azeite e demais temperos. Misturar bem e juntar as fatias de pão a este caldo, submergindo-as. A Açorda está feita e deve ser servida imediatamente, enquanto está quente e o pão não absorveu todo o caldo.


Em alternativa ao bacalhau pode ser utilizada pescada e em substituição dos coentros podem ser adicionados poejos. No meu caso, não é possível, pois ainda não encontrei nenhuma das duas coisas aqui no Brasil!

Bom apetite.
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sábado, 7 de maio de 2011

Nhoques de Pinhão

Sempre que visito um novo país, procuro conhecer a sua cozinha típica, os ingredientes utilizados e, quando possível, comprar alguns e trazer para casa para utilizar nas receitas. Gosto também de comprar um livro de receitas locais, do qual sempre consigo eleger uma ou outra que faço com regularidade. Tenho, por exemplo, um bolo de iogurte, retirado de um livro de receitas grego que comprei (há muitos anos) quando lá estive em Lua de Mel!

A residir agora no Brasil, este interesse pelo que se come neste país e pelo que podemos encontrar nos mercados ganha outra dimensão. É destas descobertas que vos irei dando conta nesta "cozinha" que já me parece meio brasileira meio portuguesa.

Há dias falei-vos do Pinhão e do meu projecto de pôr em prática uma receita de Nhoques de Pinhão que encontrei num site. Dada a quantidade de pinhão que tinha, tive de fazer algumas adaptações. De qualquer modo o resultado final agradou a quem comeu e assim que volte a encontrar à venda irei comprar para tornar a fazer.




Ingredientes:
(Para o Nhoque)
200 g de pinhão
200 g de batata
100 g de farinha
1 gema
1 colher de margarina

(Para o Molho)
250 g de natas / creme de leite
1 colher de margarina
1 colher de farinha
leite qb
sal e pimenta qb
noz moscada, ralada na altura qb
queijo parmesão, ralado na altura, a gosto

Cozer o pinhão em água e sal na panela de pressão. Uma vez cozido e arrefecido, descascar e moer no processador de alimentos. Descascar e cozer a batata em água e sal e esmagar. Aqui uso uma espécie de espremedor de batata. Pode ser também utilizado um Passe-vite. A utilização do liquidificador ou varinha mágica deixa a batata com uma consistência desagradável (parece cola!).

Juntar os diversos ingredientes numa taça grande e amassar com as mãos, misturando bem. Pode ser necessário ir acrescentando mais farinha, até que a massa comece a desgrudar das mãos e da taça. Vão-se tirando pedaços de massa e fazendo rolinhos, com cerca de 1,5 cm de diâmetro. Cortar os rolinhos com uma tesoura de cozinha, formando os nhoques.

Colocar ao lume uma panela com água temperada de sal. Quando a água estiver a ferver, colocar os nhoques. Quando estes subirem para o cimo, retirar com uma escumadeira e reservar. Cozer uma porção de cada vez para que fiquem no ponto.


Para o molho iniciei como se fosse um Molho Béchamel, cozendo a farinha na manteiga derretida e depois acrescentando aos poucos o leite, até formar um creme branco espesso. No lugar de continuar a acrescentar leite, juntei as natas (creme de leite), mexendo sempre e, quando atingiu a consistência desejada, temperei de sal, pimenta, noz moscada e raspas de queijo parmesão.

O sabor do molho com queijo faz um bom contraste com o sabor dos nhoques. No entanto, da próxima vez irei experimentar com molho à base de tomate. Desta vez servi com frango desfiado e aquecido em azeite (sobra da refeição anterior), mas penso que será um bom acompanhamento para uns medalhões de lombo (filé mignon).

Em Portugal, onde será diífcil encontrar este tipo de pinhão, pode tentar-se esta receita com castanha, cujo sabor, quando cozida, é bastante parecido. É uma boa alternativa para uma refeição de outono, saborosa e reconfortante!

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quarta-feira, 4 de maio de 2011

O Pinhão

Aqui no Brasil, o termo Pinhão refere-se às sementes da Araucaria (Araucaria angustifolia), também conhecida como Pinheiro-do-Pará. A origem desta conífera, que pode atingir mais de 50 metros de altura e os 500 anos de idade, remonta a mais de 200 milhões de anos. Sendo uma espécie ameaçada - encontra-se em perigo crítico de extinsão -  é alvo de protecção legal. Contudo, não obstante ser uma espécie protegida desde o Sec. XVIII, julga-se que das áreas de floresta de Araucária originais no Brasil, restará hoje apenas cerca de 1%.

A Araucária apresenta uma forma característica, parecendo uma taça ou umbela, e ainda pode ser encontrada nos estados do Sul e do Sudoeste do país. Nós encontrámos uma no nosso jardim! É uma árvore belíssima e imponente, que estende a sua sombra sobre o pomar e onde inúmeras aves encontram abrigo e local para fazer os seus ninhos.






Nos meses de Maio e Junho, com o final do Outono, surgem no mercado os Pinhões. Quando vi estas sementes pela primeira vez, logo comprei algumas e procurei descobrir o que eram e o que poderíamos fazer  com elas. Bem diferentes do nosso pinhão, terão certamente outras aplicações e formas de cozinhar.



Usualmente, o pinhão é cozido em água para a utilização em diversas preparações, ou assado diretamente na chapa do fogão. As duas principais receitas tradicionais na qual se utiliza o pinhão são a paçoca de pinhão (pinhão cozido e moído, misturado com carne seca) e o entrevero (um cozido de verduras e carnes acompanhados de pinhão).  Resolvi procurar outras alternativas para preparar os pinhões que comprei e encontrei uma receita de Nhoque de Pinhão do Restaurante Armazém Italiano do no site INCorporativa  que irei experimentar amanhã para o almoço.
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terça-feira, 3 de maio de 2011

Bolo de Citrinos

Uma fatia de bolo quando chegamos a casa é sempre um conforto! E, quando estamos longe dos nossos amigos e da nossa família, ter algo doce por perto pode fazer-nos sentir um pouco melhor. Para não me sentir culpada, esta semana não fiz um bolo de chocolate (que são os meus favoritos) e inspirada por várias receitas que já tinha lido e pelos ingredientes disponíveis, resolvi fazer um bolo de citrinos. Consoante os gostos de cada um, podem optar pelo limão ou pela lima, se gostarem de um sabor mais ácido, ou pela  laranja se penderem mais para o doce.

Como temos duas árvores cheias de frutos maduros, decidi experimentar a fazer o bolo com limão caipira e com limão galego. Ambos são uma espécie de limas, enquanto o primeiro é mais achatado e cor de laranja, parecendo uma tangerina, o segundo é verde escuro e, quando bem maduro, com zonas mais amareladas. Encontrei um post com informação muito detalhada e interessante sobre estes limões, inclusivé com os nomes que têm nas diferentes partes do país. Vale a pena clicar no Blog da  Neide Rigo - Come-se - e ler o que ela tem a dizer sobre estes limões que já não aparecem nos mercados, mas que ainda despertam as lembranças de infância de muitos brasileiros.



Ingredientes:

3 ovos
150 g de açúcar
150 g de margarina
150 g de farinha com fermento (ou juntar fermento químico na quantidade indicada)
50 g de amêndoas moídas (depois de peladas)
Raspa de um limão
Sumo de dois limões
4 colheres de sopa de açúcar
Para decorar: casca e sumo de um limão ou laranja, açúcar qb

Bater os ovos com o açúcar, a margarina à temperatura ambiente e as raspas do limão, até formar um creme esbranquiçado. Juntar a amêndoa moida. Eu gosto de pelar as amêndoas na altura, escaldando-as com água a ferver, e moê-las depois num processador de alimentos. Por fim, misturar a farinha com o fermento, já sem bater muito. Colocar numa forma untada e polvilhada com farinha. É melhor escolher uma forma que não seja muito grande pois o bolo é pequeno. Levar a cozer em forno médio-alto.

Uma vez cozido, antes de desenformar, picar o bolo com um palito ou agulha de tricot e molhar com uma calda feita ao lume, contendo o sumo de dois limões e três ou quatro colheres de açúcar, consoante o gosto. Eu usei o sumo de um limão caipira e dum limão galego. Se preferir algo menos ácido, pode optar pela laranja.

Para decorar, cortei tiras finas da casca do limão que cozi em água e depois misturei com sumo e açúcar até ficar quase seco e com um ar caramelizado e brilhante. Enfeitei o cimo do bolo com este doce e polvilhei com açúcar. Para os mais gulosos, podem aumentar a porção de açúcar na calda ou não a colocar de todo.

Para todos, bom apetite!






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segunda-feira, 2 de maio de 2011

Uma Horta a Sul do Equador

Um dos factores que contribuiram para a escolha da casa onde agora habitamos foi o facto de possuir um espaço destinado a uma pequena horta. Quando cheguei, esta estava quase abandonada, com pouco mais que alguns pés de mandioca plantados. Desde logo assumi como um desafio e uma prioridade colocar a horta a produzir, de forma a termos vegetais frescos e criados de forma orgânica. No entanto, os meus conhecimentos de horticultura e, para mais, no hemisfério Sul, eram pouco mais que nulos! Faltava-me um Borda d'Água brasileiro que me orientasse... Por isso fiquei surpresa, mas também encantada quando o jardineiro que trata do jardim me esclareceu que aqui não há propriamente épocas específicas para cada produto, podendo ser plantados praticamente ao longo de todo o ano. Foi assim que começámos a nossa horta com todos os legumes e verduras que encontrei na loja, do tomate ao pimento, da alface à rucula, da mandioca à courgete (que aqui é chamada abobrinha italiana). Temos ainda as ervas aromáticas...e outras que iremos falar quando vier a propósito.

Esta é a foto da horta na semana da plantação.


E aqui está uma imagem ao fim de três semanas.



Dá para perceber como o crescimento aqui é rápido, o que entusiasma qualquer hortelão amador.
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