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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Água Fresca de Melancia, Lima e Hortelã e um Restaurante de Sonho



Gosto de restaurantes, pronto! Gosto de boa comida, de locais bonitos, de um serviço eficiente e simpático e, como a maioria dos food bloggers já me dei à fantasia do que seria ter um restaurante!



Como seria? Sofisticado e urbano, com uma decoração irrepreensível e pratos elaborados? Confesso que gosto desses restaurantes, em que nos arranjamos para ir jantar, em que comemoramos ocasiões especiais ou fazemos reuniões de trabalho (em vidas passadas!), mas o meu restaurante de sonho era mesmo com o pé na areia, com um dress code que inclui saída de praia e chinelinha, onde se pode ficar a preguiçar com os amigos, com uma bebida na mão.




O peixe do dia, assado na grelha,  os mariscos fresquíssimos cozinhados de forma simples, as frutas e os frutos da terra, em acompanhamentos saborosos e bebidas refrescantes. As ervas aromáticas colhidas no jardim ao fundo e o mar cujo som compete com a música ambiente, o areal como chão e as sombras acolhedoras dos ombrelones para nos protegermos do sol.


Há locais assim, onde com uma taça na mão aguardamos o por do sol e um convite para ficar mais um pouco e jantar sob a luz das estrelas!





Ingredientes:
1 melancia grande
2 limas
1 ramo de hortelã
gelo picado qb.

Partir a polpa da melancia em pedaços, triturar e coar com um passador de rede. Nos copos individuais ou num jarro grande, colocar gelo picado, rodelas de lima e folhas de hortelã. Juntar o sumo de melancia.




Sentar num local agradável, em boa companhia, relaxar e saborear a vida!

Com esta fantasia e esta água fresca participo  em mais uma edição do "Convidei para Jantar...", que está este mês no blog A minha cozinha é a Cores, com o tema Restaurantes de Sonho.

As fotos foram tiradas em Ilhabela, no litoral de São Paulo e, precisamente na Praia do Sebastião, há um pequeno restaurante de praia que se aproxima muito deste sonho que vos descrevi.
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terça-feira, 16 de abril de 2013

Polvorones de Naranja para Frida Kahlo




A minha convidada chegou a meio da tarde, resplandecente sob o sol, no seu estilo único e tão pessoal. As roupas coloridas, as tranças enfeitadas, a dor reprimida atrás do sorriso franco e a paixão a bailar-lhe nos olhos de cada vez que falava de Diego.



A bela e enigmática Frida, a original e carismática pintora mexicana, estava ali, vibrante e forte como a natureza. A tarde estava amena, a luz brilhante e ficámos no jardim a ver os micos correr sobre os fios do telefone, lá fora na rua. As borboletas enchem os canteiros e as libélulas fazem voos rasantes sobre a água. As andorinhas que nunca partem, cantam no beiral do alpendre.

Admirei o seu toucado e Frida ajudou-me a entrançar o cabelo com fitas e flores. Ataviadas de colares e pulseiras, comemos os polvorones de laranja, seus bolos favoritos desde os tempos de infância em que a mãe os fazia. Para beber, agua fresca de melancia, essa bebida tão mexicana. Ficámos a falar dos nossos amores e a trocar receitas  até ao sol se por e os morcegos virem esvoaçar em torno das nossas cabeças.






Ingredientes:
125 g de manteiga à temperatura ambiente
100 g de açúcar
1 gema de ovo
raspa e sumo de uma laranja
250 g de farinha
1 colher de chá de fermento

Bater a manteiga com o açúcar até obter uma mistura cremosa e homogénea. Acrescentar a gema e continuar a bater. Adicionar as raspa de laranja e o sumo coado, misturando bem. Por fim, envolver a farinha com o fermento. Levar a massa ao frigorífico (geladeira) durante uma hora. Estender a massa, com cerca de meio centímetro de altura e cortar bolachas redondas que se levam a cozer em forno aquecido a 200ºC. Retirar ainda louras e deixar arrefecer sobre um rack metálico. Os mais gulosos podem ainda polvilhá-las com açúcar em pó.





Frida Kahlo, a sua vida e a sua obra, tocam-me há longos anos, pelas suas imagens perturbadoras, transbordantes de dor, mas também de força e apego à vida. A paixão que a movia, pelos que amou, pela pintura, pela sua terra e pela cozinha é verdadeiramente inspiradora.

A frase que nos deixa na natureza morta tão cheia de cor que quase fantasiamos poder adivinhar a doçura das melancias, nessa obra do final da sua vida, numa fase tão cheia de sofrimento, é o espelho da mulher que Frida foi até ao fim.

Viva la Vida!

Com esta receita participo na iniciativa "Convidei para Jantar..." este mês dinamizado pela Guida, sob o tema Pintores.
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quinta-feira, 14 de março de 2013

Cookies de Banana e Caramelo e um Soneto da Fidelidade


De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Vinicius de Moraes, "Antologia Poética", Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960, pág. 96.


Perante a proposta que nos foi deixada este mês pelo blog Come Chocolates Pequena, Come Chocolates, para a iniciativa Convidei para Jantar criada pela Ana do Anasbageri, escolhi este poema de Vinicius de Moraes que me acompanha desde a meninice. A escolha do Soneto da Fidelidade reflecte a minha forma de viver o amor e é uma homenagem a um grande poeta do país que me acolhe desde há dois anos a esta parte.

Já a escolha da receita que vos trago é mais prosaica! Um cacho de bananas maduras, retirado das bananeiras que tenho ao fundo do quintal apela a todas as receitas com banana de que me possa lembrar. Adoro a combinação da banana com a canela, o rum e o caramelo e, nestes cookies tentei recriar esse casamento d'amor. As bolachas tenras e saborosas confirmaram que aquilo que une estes simples ingredientes tem uma magia própria que devem experimentar!





Ingredientes:
200 g de açúcar
300 g de farinha
1 colher de sopa de fermento em pó
1 colher de chá de canela
150 g de manteiga sem sal
2 bananas grandes maduras
1 ovo
2 colheres de sopa de pepitas de chocolate branco

(Caramelo)
1/2 chávena de açúcar
1/4 chávena de água
1/4 chávena de natas
2 colheres de sopa de lascas de amêndoa
1 colher de sopa de rum


Preparar o caramelo, levando a lume brando o açúcar misturado com a água. Quando adquirir uma cor âmbar, acrescentar as natas. Tomar atenção que vai borbulhar e se o recipiente for muito pequeno pode sair para fora. Acrescentar as amêndoas em lascas e, mexendo, deixar mais uns minutos ao lume. Retirar do fogão, acrescentar o rum e mexer energicamente. Reservar. Para a preparação das bolachas, juntar numa taça todos os ingredientes secos e misturar. Juntar a manteiga cortada em cubos e esfarelar até estar bem incorporada. Fazer uma cavidade no centro, onde se colocam as bananas esmagadas e o ovo batido, amassando bem. Por fim deitar o caramelo sobre a massa e envolver um pouco de modo a que fiquem umas partes da massa com mais caramelo que outras. Com a ajuda de duas colheres de sopa, formar bolas de massa que se colocam, espaçadas, num tabuleiro de alumínio forrado com papel vegetal. Levar a cozer na parte central do forno, aquecido a 180ºC. Quando ficarem louras, retirar o tabuleiro do forno e deixar arrefecer durante uns minutos. Depois retirar e deixar esfriar completamente sobre um rack de metal.


Bom apetite!





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domingo, 16 de dezembro de 2012

Leite Creme e Saudades de Lisboa

Há quem lhe chame a cidade branca, e para mim, na verdade, ela tem a mistura de todas as cores e de todas as luzes e é dessa luz, única, que vem do céu azul e se reflecte no Tejo que tenho mais saudades. Saudades da minha Lisboa, das suas ruas e avenidas, das ruelas e  dos bairros, dos jardins e da beira rio, dos pombos, dos pardais e das gaivotas, do castelo, dos elevadores, dos lampiões nas ruas, dos eléctricos, da calçada, dos jacarandás, dos azulejos e de tantas, tantas coisas...


Nesta edição do Convidei para Jantar, iniciativa lançada pela Ana do Anasbageri e, este mês, acolhida no bonito blog Marmita, pensei trazer uma cidade ou país visitado, ou algum local que gostaria ainda de visitar. A escolha era difícil e voltava sempre à saudade que teima e, ao fim e ao cabo, ao destino da minha próxima viagem. A cidade onde passei a maior parte da minha vida e aquela onde tenho sempre vontade de voltar... Lisboa!




Ingredientes:
500 ml de leite
500 ml de natas
9 colheres de açúcar
Casca de laranja
1 pau de canela
6 gemas de ovo
2 colheres de chá de Maizena
Canela em pó qb.

Levar o leite e as natas a aquecer com o açúcar, a casca de laranja (só o vidrado) e o pau de canela, até levantar fervura. Misturar bem as gemas com a maizena e temperar os ovos, acrescentando lentamente, ao mesmo tempo que se mexe energicamente, um fio de leite. Depois dos ovos estarem temperados, acrescentam-se ao resto do leite e levam-se a lume brando, mexendo sempre, até engrossar um pouco. Retirar as cascas de laranja e o pau de canela e deitar em taças. Consoante os gostos pode ou não polvilhar-se com canela.




Bom apetite!
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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Biscoitos de Mel, Amêndoas e Passas


Teresa nasceu em 1151. Filha de rei, cresceu e foi educada na corte. Bela e inteligente, era a filha predilecta de seu pai e foi, durante muitos anos a confidente e colaboradora próxima do monarca, chegando, segundo se pensa, a ser cogitada como herdeira e sucessora ao trono. Em Agosto de 1184 a infanta casa-se com Filipe, conde da Flandres, e muda-se para uma das cortes mais sumptuosas e cultas da Europa, adoptando o nome de Matilde.



























É na corte na Flandres que a visito. Ela recém casada e feliz, nós ambas jovens e cheias de sonhos e projectos. Temos em comum a vontade de ter um filho, partilhamos o gosto pela literatura... falamos, rimos, partilhamos ideias. 

A corte alberga os melhores músicos, artistas e escritores da sua época e nós sentamos-nos, tomando vinho quente e saboreando os biscoitos que lhe levei, enquanto escutamos música ou enquanto Chrétien de Troyes lê trechos de Perceval, o romance que escreve para o Conde.

Os biscoitos de mel das serras altas, com as passas das vinhas do Douro, as amêndoas e as raspas das laranjas deixadas pelos mouros, levaram a Teresa as lembranças do seu Portugal amado. Falámos do nosso país, das saudades de quem está longe, da vontade de um dia voltar...



Ingredientes:
100 g de farinha
4 colheres de sopa de germen de trigo
4 colheres de sopa de açúcar demerara (amarelo ou mascavado)
1 colher de chá de fermento
75 g de manteiga
1 ovo
2 colheres de sopa de mel
2 colheres de chá de vinho do Porto
Raspa de uma lima (ou laranja)
100 g de passas
100 g de amêndoas

Misturam-se a farinha, o germen de trigo, o fermento e o açúcar. Junta-se a manteiga, à temperatura ambiente, e esfarela-se junto com os ingredientes secos. Acrescenta-se a raspa de lima, o ovo ligeiramente batido, o mel e o vinho do Porto, amassando até obter uma pasta consistente. Adicionam-se as passas e as amêndoas, grosseiramente picadas com uma faca, envolvendo-se até ter uma mistura homogénea. Forram-se os tabuleiros com papel vegetal e distribuem-se colheradas da massa com espaço para que os biscoitos possam crescer. Levam-se a cozer em forno aquecido a 180ºC. Quando estiverem dourados retiram-se do forno e deixam-se arrefecer alguns minutos e depois colocam-se sobre um rack até esfriarem completamente.





Nestes biscoitos procurei ser tão fiel quanto possível aos ingredientes e técnicas existentes na época. Por exemplo, as laranjas doces, tal como as conhecemos, foram trazidas por Vasco da Gama, daí a opção pela lima que é uma espécie de laranja azeda (as existentes nessa altura). A escolha das amêndoas e passas é uma procura de levar a alguém que está longe os sabores da sua terra.

A escolha de D. Teresa (ou Matilde), filha de D. Afonso Henriques, é fruto do fascínio que este personagem histórico me desperta. Uma mulher com uma visão política ímpar, que durante longos anos jogou nos principais palcos de poder europeus e da qual sabemos muito pouco.












Esta é a minha participação na 8ª Edição do projecto Convidei para Jantar, da iniciativa da Ana do blog Anasbageri, este mês acolhido pela Alice do blog Alice na Cozinha Maravilha e subordinado ao tema Aristocratas.

Não deixem de visitar todos os blogs participantes e de conhecer os convidados ilustres que por lá vão passar e, já agora, bom apetite!

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sábado, 13 de outubro de 2012

Frango com Molho de Manga - Convidei para Jantar #7

Após uma pausa para as férias, o Convidei para Jantar, iniciativa da Ana voltou pela mão da Vera do Blog Hoje para Jantar e com uma proposta irrecusável - receber à nossa mesa um ídolo da música!

Pois bem... rufem os tambores, afinem as violas, soltem as vozes e recebamos os nossos convidados com todo o carinho e uma cantiguinha nos lábios.




Confesso que foram vários os nomes que me passaram pela ideia. Afinal, todos nós temos nos nossos gostos musicais estilos variados, sonoridades diversas, que nos foram conquistando em diversos momentos da vida ou em função de diferentes estados de alma.

O meu convite obedeceu por um lado ao factor da proximidade e por o Chico ter sido uma presença constante ao longo da minha vida. Na verdade, a primeira música que me lembro de escutar, teria talvez três anos, foi A Banda com as suas notas alegres e refrão cativante que, mesmo tão pequena, conseguia cantarolar.


In Blog do Lisandro - Ver Entrevista

E estava eu com estes pensamentos de dias passados quando ele bateu à porta. Vinha com o violão, um sorriso meio tímido e os olhos verdes curiosos. Convidei-o para me acompanhar à cozinha onde terminava o molho do frango. Estava calor e bebemos água de coco gelada enquanto eu lhe contava à quanto tempo me lembrava das suas canções. 

As que me tinham encantado na infância - A Banda, pela sua alegria e a Construção que pelo seu poema maravilhoso, ao mesmo tempo me fascinava e me deixava angustiada. Depois, na juventude,  apaixonada, encantara-me com as suas canções de amor em que tão bem mostrava conhecer o coração da mulher. Fomos trauteando todas aquelas canções que eu recordava e que faziam parte da banda sonora da minha vida, enquanto o Chico dedilhava o violão.

Depois do almoço, a bebericar café, falou-me dos seus projectos do próximo livro, da última tourné, do seu percurso de vida... até que nos despedimos com um sorriso na voz.




Ingredientes:
4 peitos de frango
1 manga cortada em cubos
3 dentes de alho ralados
Sumo de 2 laranjas
Sumo de 1/2 lima
1/2 chávena de caldo de frango
1 colher de chá de gengibre fresco ralado
2 colheres de chá de maizena
1 molho pequeno de coentros
Azeite, sal e pimenta qb.

Espalmar os peitos de frango até ficarem com cerca de 0,5 cm de espessura (pude usar um rolo de massa, colocando os peitos de frango dentro de um saco de plástico). Ao ficarem espalmados torna-se mais fácil que fiquem cozinhados de forma homogénea. Numa frigideira, colocar um pouco de azeite e o alho ralado. Fritar os peitos de frango, virando de ambos os lados. Quando estiveram selados, temperar de sal e pimenta e deixar cozinhar mais um pouco. Acrescentar o sumo de uma laranja e o gengibre ralado. Tapar a frigideira e deixar cozinhar em lume brando até que os peitos de frango esteja completamente cozidos. Retirar e reservar num prato coberto, mantendo quente. Na frigideira, juntar a maizena à gordura que ficou e depois de bem diluída acrescentar o sumo de uma laranja e o caldo de frango. Deixar ferver em lume brando até reduzir a metade. Acrescentar a manga e deixar ferver até ficar um molho consistente. Finalizar com o sumo de 1/2 lima. Dispor os peitos de frango no prato de servir e cobrir com o molho de manga. Guarnecer com os coentros picados.






Bom apetite e boas músicas!


Receita inspirada por esta do site Eating Well.

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sábado, 16 de junho de 2012

Bolo de Laranja da Bahia para um Convidado Especial

Tenho andado afastada desta lides de convidar pessoas ilustres para a minha mesa e, talvez por isso o ter feito pensar que eu andava cansada, o meu convidado deste mês fez-se acompanhar por duas belas senhoras e cozinheiras de mão cheia.

Jorge amado, chegou manhã cedo, trazendo dum lado a perfumada Gabriela e do outro a dividida Florípedes! Com cestos carregados de ingredientes, panelas e utensílios, tomaram a minha cozinha e entre risadas, histórias e revelações foram enchendo a minha casa com os aromas da cozinha baiana.

Gabriela fritou o acarajé, que depois comemos recheado com vatapá e camarão salteado. Dona Flor, presenteou-nos com uma moqueca de siri mole, de dar água na boca e lágrimas nos olhos. Para a sobremesa, Jorge Amado, guloso inveterado, preparou uma deliciosa Cocada Mole que, como aqui se diz, foi de comer rezando.




Com o café, forte e aromático, comemos uma fatia de bolo de laranja da Bahia, quase tão cheiroso como Gabriela e doce como Dona Flor. Depois de tantas iguarias, senti-me humilde com o meu bolo tão simples, mas a simpatia dos convidados e a delícia da conversa, fizeram-no parecer um manjar dos deuses!

Ingredientes:
4 ovos
300 g de açúcar
raspa e sumo de uma laranja
50 ml de óleo
250 g de farinha
1 colher de sopa de fermento

Misturar bem a raspa da laranja com o açúcar. Juntar os ovos e bater até obter um creme homogéneo e esbranquiçado. Adicionar o óleo e o sumo de laranja e continuar a bater. Por fim acrescentar a farinha peneirada com o fermento, envolvendo cuidadosamente. Levar a cozer em forno a 180º em forma untada e polvilhada de farinha.




Este ano comemora-se o 100º aniversário do nascimento de Jorge Amado e, nesta cozinha no Brasil, com o nome de Cravo e Canela, tinha de ser ele o escritor convidado para a iniciativa Convidei para Jantar, criada pela Ana do blog Anasbageri e este mês dinamizada pela Carla do blog De Cozinha em Cozinha.

Baiano de nascimento, Jorge Amado era um amante da boa comida e de receber os amigos em sua casa para comezainas que duravam dias inteiros. Este gosto pela culinária emerge também nos seus livros e nos personagens que cria -  da cozinheira Gabriela, à professora de culinária D. Flor, passando por Pedro Arcanjo que no livro Tenda dos Milagres, redige o seu Manual de Culinária Baiana!


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sábado, 17 de março de 2012

Sericaia para Fechar o Jantar

Sempre que via os programas do Jamie em Itália, em Espanha ou nos Estados Unidos imaginava como seria tê-lo por Portugal. A humildade com que se aproxima das pessoas, a sua vontade de aprender o seu eterno ar de miúdo iam deixar o povo português de braços abertos e definitivamente encantado com o jovem chefe inglês.




Imaginava-o no Alentejo a experimentar a boa culinária dessa região de Portugal. O desafio iniciado pela Ana e, este mês, continuado pela Suzana, permitiu-me dar azo a esta fantasia e aqui estou eu, em pleno Alentejo profundo, acompanhada do Jamie Oliver.




É Setembro, os campos estão dourados, o clima seco e quente. Na vila de Castro Verde decorre o Festival Sete Sois, Sete Luas. A terra enche-se de espectáculos, exposições, workshops. Improvisam-se tasquinhas, cafés em casas antigas. É um festival mediterrânico com o melhor desta cultura, da música à arte, da literatura à gastronomia. E este ano "está cá aquele moço inglês, muito engraçado, que faz uns progamas de culinária. O Jaimi, ou lá o que é!".

Em poucos dias já o moço conhece gente pelo nome, já foi visitar as melhores boleiras, já comeu do bom pão, já foi convidado por meio mundo para ir comer lá a casa e anda Ao Baldão pelas tascas a arranhar as Modas alentejanas. Já experimentou as tibornas, encheu-se de queijadas e bolos folhados, comprou popias brancas para levar às suas princesas e perdeu-se de amores pelo presunto, paios e linguiças caseiros "Sr. Jaimi, estas linguiçinhas são para levar lá pra Inglaterra, que é para não se esquecer aqui de Castro!".



Hoje fomos dar uma volta aos montes, levei-o a vistar a minha prima Manela que faz dos melhores presuntos que já provei e ficou logo combinado um jantar de Pilha Galinhas para amanhã. "Que é para o Jamie também provar uma cabidela!"

Chegados a casa, já estava uma lebre, temperada de véspera, à espera para fazer um jantar de lebre com feijão e cominhos. Juntos vamos fazer a sobremesa. "Chama-se Sericaia, Jamie!". "Sericá?". "Sim, também pode ser! Vamos lá!"



Ingredientes:
1/2 l de leite
Casca de meio limão (siciliano)
1 pau de canela
1 pitada de sal
6 ovos
225 g de açúcar
70 g de farinha
Canela em pó
Ameixas d'Elvas (facultativo)

Ferver o leite com a casaca de limão (cortada bem fina, sem a parte branca), o pau de canela e o sal. Deixar arrefecer e, aos poucos, acrescentar à farinha, diluido bem. Se formar grumos, desfazer e homogeneizar o creme com a ajuda de uma varinha mágica (mixer). Bater as gemas com o açúcar até obter um creme fofo e esbranquiçado. Juntar lentamente a mistura de leite e farinha, mexendo sempre. Voltar a colocar no recipiente de ir ao lume e levar a cozinhar em fogo brando, mexendo sempre e sem deixar ferver. Deixar arrefecer, tirar as cascas de limão e a canela. Bater as claras em castelo firme (em neve) e envolver com o creme de leite, farinha e ovos que já deve estar frio. Deitar num prato fundo e largo e polvilhar com bastante canela em pó. Levar a cozer em forno a cerca de 200º e retirar quando estiver firme e a rachar.




Tradicionalmente é servido  em fatias, acompanhado de Ameixas d'Elvas e da sua calda.

Também pode ser feito em recipientes individuais ou num tabuleiro e cortado em cubos. Mas não há nada como ver o prato de barro, com a Sericaia estalada, a cheirar a canela.




"Então Jamie, gostaste?". "Oh yea! Sericá is lovely!!!"
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